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Famoso local onde cariocas e turistas do mundo inteiro costumam ir para voar sobre a Cidade Maravilhosa com asas delta ou para-pentes. Trata-se da Rampa de Vôo Livre do Rio de Janeiro, instalada na Pedra Bonita, no Setor C do Parque Nacional da Tijuca, considerada a segunda maior floresta urbana do planeta.

É uma montanha verdadeiramente fantástica que emana uma vibração super positiva e que nos presenteia com uma paisagem sem igual de diversas áreas de nossa Cidade Maravilhosa. Mas infelizmente a beleza natural não reina absoluta, sendo obrigada também a conviver com o descaso do poder público, a falta de sensibilidade de muitos visitantes e a constante degradação ambiental que perdura ao longo de muitas décadas.

Com cerca de 100 hectares de área, sendo que 15 hectares desmatados, a Pedra Bonita concentra nesta pequena área, todos os problemas sócio-ambientais existentes no Parque Nacional da Tijuca.

A história da Pedra Bonita está intimamente relacionada com a história colonial do Parque, quando todo o Maciço da Tijuca foi modificado pela ação do homem, com desmatamentos para a criação de fazendas de café e cana-de-açúcar, além da construção de residências particulares. A montanha foi, então, completamente devastada para que suas matas fossem transformadas na lenha que alimentavam os engenhos.

Pelo seu isolamento natural e por não possuir nascentes de água significativas, foi abandonada e não passou por nenhum processo de recuperação até os dias de hoje.

Apesar de muito procurada por aqueles que buscam uma total interação com a natureza e a fantástica vista que ela nos proporciona no topo de sua montanha, muitos problemas acabam desanimando visitantes ou gerando decepção e surpresa nos turistas que constatam o verdadeiro abandono do poder público com o turismo no local: estradas de acesso ao local desertas e sem policiamento, asfalto esburacado (em alguns casos já se transformando em crateras na pista de asfalto antigo) e a completa ausência de funcionários do Ibama ou da Prefeitura do Rio.

A apenas alguns metros da rampa de madeira, incrustada em meio a um cenário indescritível, de onde se tem uma vista privilegiada de Ipanema a São Conrado, passando pelo dorso do Vidigal, uma placa corroída pelo tempo é a única informação possível, escrita em letras que mal se consegue ler:

“Bem-vindo ao Parque Nacional da Tijuca. Você está em uma área de Reserva Mundial da Biosfera da Tijuca, na Pedra Bonita, um dos mais belos exemplares do patrimônio natural. E, a partir de agora, convidado a vivenciar essa combinação de vocações, incluindo a educação ambiental. Divirta-se e lembre: esse patrimônio tem que ser preservado, a qualquer preço, pois ele é a garantia de vida das futuras gerações”.

O nome rapel vem do francês “rappeler” e siguinifica trazer/recuperar. A técnica foi “inventada” em 1879 por Jean Charlet-Stranton e seus companheiros Prosper Payot e Frederic Folliguet durante a conquista do Petit Dru, paredão de rocha que lembra um obelisco, coberto de gelo e neve, perto de Chamonix, na França.

Descendo depois da conquista do cume, ele descreve os momentos do nascimento do Rapel: “Eu enrolava a minha corda em volta de uma saliência da montanha e, por outro lado, eu a tinha vigorosamente fechada em minha mão, pois se ela viesse a escapar de um lado seria retida do outro. Se uma saliência me permitia, eu passava a corda dupla em sua volta e lançava à meus dois companheiros abaixo as duas pontas que eles deviam ter nas mãos antes que eu começasse a descer. Quando eu era avisado que eles tinham as pontas da corda em mãos eu começava a deslizar suavemente ao longo da rocha segurando firmemente a corda nas duas mãos. Eu era recebido pelos meus dois companheiros que deviam me avisar que eu havia chegado a eles, pois nem sempre era possível ver o que havia debaixo de mim. Descendo de costas eu me ocupava unicamente em segurar solidamente a corda com minhas duas mãos, sem ver onde eu iria abordar. Quando chegava perto de meus companheiros eu puxava fortemente a corda por uma de suas pontas e assim a trazia de volta para mim. Em duas ocasiões nós tivemos que renunciar a tentativa de recuperá-la, ela estava presa em fendas nas quais penetrou muito profundamente. Neste dois lugares, pude estimar, deixamos 23 m de corda. (…)”.

Por ser uma atividade de alto risco para os franceses, eles viram-se obrigados a trocarem suas cordas feitas de algodão compressado, que muitas vezes não duravam e se rompiam facilmente nas arestas vivas, por equipamentos especializados e de alta resistência, surgindo assim algumas empresas pioneiras em materiais de exploração.

À medida que as explorações e técnicas foram se popularizando, o Rapel foi se tornando uma forma de atividade praticada nos finais de semana, surgindo assim novas modalidades, mas até hoje é usado profissionalmente nas forças armadas para resgates, ações táticas e explorações, por ser a forma mais rápida e ágil de descer algum obstáculo.

Acredita-se que o rapel apareceu no Brasil há 15 anos com os primeiros espeleólogos que iniciaram a pesquisa e estudo das cavernas no País. Somente nos últimos anos ele tem sido visto como esporte. Os rapeleiros, como são chamados os seus praticantes, descem cachoeiras, grutas e até prédios utilizando um material específico que garante a segurança e o sucesso da descida. Durante este trajeto, é possível realizar algumas manobras na cadeirinha, como balançar e até ficar de cabeça para baixo. Em todo o País, não se sabe o número exato de rapeleiros. Existem profissionais credenciados, mas também os rapeleiros de fim de semana. Estima-se que o número pode chegar a 4 mil.

A confraternização entre grupos de rapeleiros não é rara. Apesar de não haver uma confederação ou qualquer outro tipo de organização para o esportel, as associações criadas em algumas cidades do País tentam manter contato entre elas. Normalmente, os encontros, quando acontecem, são na Chapada Diamantina, ao sul da Bahia, Minas Gerais e São Paulo.

Não há muitas regras a serem seguidas quanto a escolha do local. O rapel pode ser praticado em qualquer lugar: dentro de poço de elevador, parede de prédios, árvores e montanhas. Um dos mais excitantes é o rapel de cachoeira (canyoning). Algumas cachoeiras são até 90% negativas (não há contato nenhum de apoio nem dos pés, nem das mãos), dando maior liberdade para manobras e aumentando a emoção.

Para os rapeleiros, o verdadeiro risco de alguma coisa sair errada não existe se todas as precauções forem tomadas. O perigo está em pessoas desqualificadas, improvisação de material e descer lugares de risco sem antes verificar a resistência das paredes ou se rolam pedras.

Fonte: Aventura.com.Muitadrenalina